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A TECNOLOGIA, UMA NECESSÁRIA ALIADA CONTRA O CAPACITISMO

A TECNOLOGIA, UMA NECESSÁRIA ALIADA CONTRA O CAPACITISMO

 

Quando pensamos em tecnologia, a primeira coisa que nos vem à mente é facilidade, ao nosso dia a dia, a problemas, comunicação. E de fato, a tecnologia funciona para tudo isso, ela evolui para tornar a vida das pessoas mais fácil e agradável. Quando falamos de pessoas com deficiência, ela também serve para beneficiá-las. Mas até que ponto a tecnologia é pensada de forma anticapacitista? 

 

Para quem não se inteirou da palavra, capacitismo é o termo usado para descrever a discriminação e a opressão contra pessoas com deficiência, que abrange desde a acessibilidade até a forma como a sociedade trata essas pessoas. Ser anticapacitista é justamente ir contra essa estrutura opressora, é ser aliada para entender como colaborar com a mudança. 

 

As atitudes capacitistas são aquelas preconceituosas em função da adequação de seus corpos, esperando que todos nós nos encaixemos na corponormatividade. 

 

Na lei brasileira de inclusão, há um artigo que incentiva o fomento da tecnologia de bioengenharia nacional e a importação de produtos que promovam a inclusão social de pessoas com deficiência. Mas a realidade é que se o lema da ONU (Organização das Nações Unidas) é “nada sobre nós, sem nós”, quando também falamos em tecnologia, ela é usualmente pensada para pessoas com deficiência, porém definida ao que pessoas sem deficiência acreditam ser melhores àquelas com deficiência.

 

Para exemplificar, voltemos um pouco no tempo. Na Copa sediada no Brasil, em 2014, a atração da abertura foi uma veste robótica utilizada por um jovem com paraplegia para conseguir ficar em pé e dar o primeiro chute. Uma verdadeira armadura, pesada, apenas para normalizá-lo e comover, o que na verdade não mudou a realidade e não é de fato acessível ou facilitadora ao dia a dia das pessoas com deficiência. Esse é um dos exemplos de como a tecnologia, quando criada com o pensamento estrutural capacitista, vê apenas o objetivo de consertar as pessoas para que elas se adequem ao ambiente e não busquem construir um ambiente acessível. 

 

Por isso, uma tecnologia anticapacitista é aquela que pensa primeiramente em acessibilizar ambientes, tornando casas inteligentes, como agora disponível, comandada por voz. E é incrível ver que, com um simples comando de voz, podemos fazer com que a casa reproduza algumas tarefas de forma automática. Os ambientes precisam ser acessíveis e cada vez mais pensados dessa forma, porque pessoas com deficiência sempre existirão e nossos corpos precisam ser aceitos nos locais, nos fornecendo cada vez mais autonomia em todos os espaços. 


 

E você, tem sido um aliado? 

 

Comunidade Casa Inteligente
Maria Paula Vieira
Maria Paula Vieira Seguir

Primeira fotógrafa cadeirante a se consolidar no mercado artístico. Autora da exposição “Mães Invisíveis” que percorreu as linhas do metrô de São Paulo. Ainda carrega na bagagem a carreira de jornalista, criadora de conteúdo, modelo e atriz.

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